O Livro Explodido - Fragmento #1: A moça cega
A moça não era cega, fato. Mas ela optou e insistia em se portar como se fosse uma. Tinha todos os aparatos, todos os comportamentos, até seguia a ranhura do meio-fio com sua bengala prateada e, volta e meia, esbarrava em cheio com algum passante.
Eu a vi no trem, dia desses; e passei a encontrá-la com certa frequência. Não percebi nada e nem era essa minha intenção. Na verdade o que eu olhava mais era o caminhar dela: olhava seus pés e seus passos; e pude então perceber que eram diferentes, pois os pés de quem já viu algo nessa vida nunca mais esquecem isso. A verdade apareceu em uma Quarta-Feira qualquer (não lembro exatamente qual).
Passei então a chegar mais perto e ultrapassá-la, passei então a voltar enquanto ela ia. Por um mísero segundo, ela olhou nos meus olhos...
Eu a vi no trem, dia desses; e passei a encontrá-la com certa frequência. Não percebi nada e nem era essa minha intenção. Na verdade o que eu olhava mais era o caminhar dela: olhava seus pés e seus passos; e pude então perceber que eram diferentes, pois os pés de quem já viu algo nessa vida nunca mais esquecem isso. A verdade apareceu em uma Quarta-Feira qualquer (não lembro exatamente qual).
Passei então a chegar mais perto e ultrapassá-la, passei então a voltar enquanto ela ia. Por um mísero segundo, ela olhou nos meus olhos...
Comentários
Postar um comentário