Um dedo de prosa

Acho que entendi, em boa medida, o que acontece comigo.

Quando criança comecei a perceber como era dura a vida dos adultos que me cercavam, e quão árida eram também. Praticamente não tinham reservas de alegrias e de esperanças... E vi que isso os tornava amargos, tristes e bravos.

Percebi (e decidi) cavar buracos no meu interior; não eram largos mas eram bem, bem compridos. Eu queria apenas sair daquele barulho e de toda aquela confusão e caos. Senti, sem saber o motivo, que teria apenas aquela chance para fazer isso; depois a terra e o barro dos meus sentimentos e emoções ficariam ressecados pelo Sol da Vida. Daí seria muito, muito difícil cavar...

Assim fiz! E disfarcei cada entrada de cada buraco quando terminei.

Ao entrar neles, que mundo belo encontrei! Havia paz, alegria, entendimento! Tudo era absolutamente simples e fazia um sentido absurdo!

Cresci e, como havia previsto, meu terreno emocional está mais seco agora. Tudo bem. Sempre que posso, procuro uma das entradas, me espicho todo (não imaginava que eu ia quase entalar neles, rs) para atravessar. E lá chego para me refazer.

Ainda conheço muitos que ali vivem. Partiram deste mundo aqui mas lá prosseguem fortes! Engraçado que lá poucas coisas perecem! Um dia fiz um teste: trouxe de lá algumas plantas e objetos; que surpresa a rapidez que degradam aqui, com este ar pesado! Mas o que carrego deste lado para lá, continua incólume.

Penso, sem vaidade, que talvez seja um pouco disso o que Cristo disse, ao falar de como buscar o Reino dos Céus... Quem sabe um desses buracos não desembocam Lá?


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